23 maio 2012

To bidé or not to bidé

A sociedade de hoje em dia debate-se frequentemente com temas fracturantes, que geram polémica, conduzem a um extremar de posições, acirram os ânimos, incitam ódios e até violência entre as pessoas. Os homossexuais, devem poder casar-se? A eutanásia, deve ser permitida? As drogas, devem ser despenalizadas? O Benfica, é ou não é o melhor clube do mundo? Temas destas dividem a população ao meio com cada uma das metades a odiar a outra, e é assim que o mundo avança. Pois bem, já era altura de alguém lançar mais um tema fracturante para cima da mesa: O Bidé, é mesmo necessário nas nossas casas de banho?

Photo: Chell Hill
Há referendo sobre isto? Eu acho muito bem que devia haver. Antes de mais um pouco de história, porém, para podermos enquadrar devidamente este tema. Em primeiro lugar, a palavra bidé vem do francês bidet que quer dizer pónei. E disto, meus senhores, ninguém fala. Porque o que acontece na verdade é que as pessoas não se sentam simplesmente no bidé, elas montam o bidé. Com uma perna de cada lado, como se fosse um cavalo. Consta que o primeiro bidé foi encomendado pela rainha de França, cerca de 1710, que andava incomodada por não ter um sítio onde lavar as suas partes baixas. E a partir daí o seu uso proliferou, com cada vez mais mulheres a regozijar-se por poderem montar o recipiente.

Ao longo dos tempos os bidés passaram dos quartos para as casas de banho, ficaram a combinar com as sanitas, a ter água morninha e até, mais recentemente, a ter uns jatinhos verticais que acertam mesmo na zona que se pretende... aaaa... higienizar. Quer dizer, não sei se vêem como eu o rumo que a história está a tomar, é verdade que oficialmente o bidé serve apenas para a higiene das partes inferiores do corpo, mas a mim começa a parecer-me mais um instrumento de prazer do que de higiene! É um escândalo!

Há aqui duas questões essenciais a colocar. A primeira questão é se o bidé é mesmo necessário. Eu moro numa casa sem bidé e não lhe sinto a falta. Alguns e algumas colegas que consultei sobre o assunto também dizem que não o usam com grande frequência. Além disso, dizem as minhas fontes que os bidés nem são assim muito utilizados no norte da Europa, apesar de estarem na maioria das casas portuguesas e italianas. A segunda questão é porque é que o bidé aparenta ser um instrumento exclusivo para as mulheres. Quer dizer, a existir o recipiente, também nos dá jeito a nós, homens, em certas e determinadas circunstâncias! Eu cresci a pensar que o bidé era um instrumento unisexo, que servia para homens e mulheres em total igualdade de direitos. E no entanto, todas as particularidades, as pequenas inovações como os jatinhos verticais ou a possibilidade de orientar o bico da torneira, não têm qualquer utilidade para os homens. Será assim uma coisa tão essencial para elas?

É com certeza extremamente essencial segundo a maior autoridade em bidés que eu conheço, e que é: o meu pai. Não sei exactamente como é que ele sabe, mas o meu pai sabe que em qualquer casa que tenha mulheres tem de haver um bidé. E deu-me duas provas disto:

Prova número 1: o meu pai colocou um bidé numa das casas de banho do escritório na empresa dele. Um dia perguntou-me se eu andava a usar a casa de banho das mulheres.

- Das mulheres?! - perguntei eu, surpreso.
- Não andaste a usar a casa de banho da direita?
- Andei.
- Então, essa é das mulheres.
- Mas não há nenhum sinal a dizer que a casa de banho é das mulheres.
- Mas essa tem um bidé.
- Hã???

Porque raio é que a casa de banho se torna exclusiva das mulheres só porque tem um bidé lá dentro? Os homens não podem usar o bidé porquê? E porque é que elas precisam do bidé tão desesperadamente? Além de que já perguntei a algumas mulheres se usariam o bidé na empresa e todas me disseram que não, por isso não sei o que é que aquela coisa está ali a fazer.

Prova número 2: o meu pai decidiu remodelar um espaço que usa para fazer petiscos e parte da remodelação envolveu a casa de banho, que era uma coisa simples e passou a ser uma casa de banho completa, com chuveiro e tudo. E nisto, decidiu retirar o urinol e colocar um bidé.

E isto é que me deixa revoltado. Foi tirar o urinol, esse sim uma coisa útil e usada com frequência, esse sim um instrumento higiénico que nos permite o rápido alívio da bexiga sem salpicar toda a área envolvente da sanita, esse sim que devia existir em todas as casas de banho, para pôr um bidé?! Um bidé num espaço que só se usa para festas? Se o bidé for usado duas vezes num ano já é muito!

Por isso, meus amigos, temos de tomar uma posição. Admitamos que já não estamos no século XVI, e  que esta atrocidade que polui as nossas casas de banho já está completamente ultrapassada. Sonho com o dia em que todos os bidés das nossas casas de banho sejam substituídos por urinóis, isso sim, seria bem bonito. É preciso debater este assunto com urgência. O debate sobre o bidé, tem de ser posto em cima da mesa! To bidé or not to bidé, eis a questão!

(english version)